Saúdo uma excelente iniciativa que visa alojar jovens estudantes universitários no centro histórico de Évora e, simultaneamente mitigar o isolamento e abandono de muitos idosos. Com esta iniciativa, os jovens participantes ganham alojamento gratuito dando apenas em troca algum do seu tempo em apoio domiciliário aos idosos que os albergam, criando relacionamentos e mútuas aprendizagens inter-geracionais. Desta forma e com esta genial ideia, permite-se diluir o fosso entre as diferentes gerações e o consequente esfriamento das relações humanas e sociais. Este pode ser um projecto pioneiro e localizado com uma enorme margem de progressão, tanto no tempo, como no espaço. Parabéns aos promotores desta iniciativa.
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terça-feira, julho 31, 2012
sábado, outubro 29, 2011
O pós do Pós-Troika
Como será o pós-Troika a que Portugal está neste momento acorrentado? Será que nos conseguiremos safar de mais esta ingerência externa, depois de novamente reveladas da pior forma, as fragilidades e incompetências dos nossos órgãos de administração central? Será que sairemos deste colossal atoleiro económico-financeiro com graves repercussões sociais para as próximas gerações? Conseguiremos sair vencedores e ser retratados como um case-study da resolução da crise financeira mundial? Teremos que sair da Zona Euro? Seremos ainda e sempre um país por concretizar? São muitas interrogações às quais não tenho resposta e, muitas delas também levantadas após o visionamento de um excelente vídeo designado por Pós Troika.
Esta surpreendente criação, feita por juventude, criada de forma simples, revelando pesquisa documental e histórica, com um sentido crítico apurado, com excelente grafismo e com um pura demonstração de espiríto de iniciativa traduziu-se num discurso apelativo, capaz de catapultar a sociedade portuguesa para reflectir e ajuizar sobre o futuro de Portugal. Este trabalho tendo também um toque de sátira e ironia, relembra um pouco a velha escola teatral de Gil Vicente, onde a máxima das suas criações era «Ridendo Castigat Mores», ou seja a rir se corrigem os costumes. Se serão corrigidos não sei, mas que foram assinalados os maus costumes, disso não teremos dúvidas.
Por fim deixo um desafio aos autores deste valioso trabalho. Que ao contrário da Geração à Rasca e das Manifestações dos Indignados, não se resuma a fazer o diagnóstico, mas queira ir mais além e participe dessa forma num compromisso de superação dos problemas tão bem elencados, com um acrescido esforço de criatividade, solidariedade e empenho colectivos.
terça-feira, março 22, 2011
Aproxima-se o desespero, fala-se um pouco de verdade.
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segunda-feira, março 14, 2011
Conjunturas musicais
Vá lá senhora, interpretada pela banda Os Golpes, com presença do saudoso Rui Pregal da Cunha.
«Vá lá senhora [A Portuguesa], chegou a hora.
Vá lá senhora, chegou a hora de escolher o seu par[ o Destino].
De escolher o seu par. Alguém[ Arautos da mudança] para amar. Alguém para a amar.
Vá lá senhora, a hora é pouca[o aperto é grande].
Vá lá senhora, que o tempo esgota[brotam PEC´s]. Vá escolher o seu par.
Vá escolher o seu par. Alguém para amar. Alguém para a amar.
O sofrimento agonizante[desemprego, pobreza, desesperança], sob o pavimento da escuridão[Sócrates & c.ª].
Raparigas e rapazes[Geração à Rasca], monumentos tão audazes[confiantes na vitória].
Há azul na tua mão[redigindo as premissas de uma nova sociedade]. Sangue inocente[candura e ingenuidade políticas], palpitação.
Alegria, tradição, euforia, excitação[exaltados com tamanha responsabilidade], para escolher o seu par.
Para escolher o seu par. Alguém para amar. Alguém para a amar.»
Visto que a Geração à Rasca tinha o hino Que parva que sou dos Deolinda, parece-me que o novo movimento, designado de Movimento 12 de Março também pode incorporar um grito de revolta, um toque a rebate, desta vez com menos autocomiseração e mais auto-estima! Dada a actualidade, lembrei-me de outro autor nacional que, pese embora não tenha elaborado a música para a causa vigente, traz certamente uma mensagem subliminar nas suas entrelinhas, como se pode ver, aliás pelos parentesis. O Vá lá Senhora de Os Golpes encarna perfeitamente no símbolo da nossa República, A Portuguesa, ávida de mudança e de novas e certeiras escolhas para o Futuro.
O momento actual, não me dissocia da mesma temática, independentemente do que oiça, veja ou leia...ainda assim, aproveitem o som, que vale apena.
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domingo, março 13, 2011
Um sobressalto cívico ou o renascimento de uma geração?
Cavaco Silva após um diagnóstico avassalador do país, como que reconhecendo a legitimidade dos portugueses, exortou a geração mais jovem, aquela que tem sido mais permeável às vicissitudes do mercado de trabalho em Portugal, de ter um sobressalto cívico. Parece-me justo dizer que algo se passou hoje por todo o país e, nada mais ficará igual doravante. Cerca de 300 mil indignados, entre jovens e menos jovens, manifestaram-se nas ruas das cidades portuguesas, lutando por um futuro melhor, mais esperança, mais dignidade dos politicos e mais segurança na sua vida profissional. Infelizmente essas condições tem-nos sido negadas em gande parte consequência da incompetente liderança dos sucessivos governos de Portugal nas últimas décadas. E isto deverá ser feito incontáveis vezes, até que a opinião pública o propale em uníssono. Os nossos governantes tem sido um fracasso absoluto e essa condição trouxe-nos mais pobreza, mais desigualdade, mais precaridade, mais esforços e, simultaneamente menos progresso, menos reconhecimento e, em geral menos optimismo e esperança no futuro. A uma geração jovem se lhe coarctam o futuro, o que sobra nas suas vidas??
Se a incapacidade latente na classe política portuguesa provinda do 25 de Abril é assim tão evidente e escandalosamente penalizadora para os portugueses, porque estes prosseguem impunes? Este Governo e alguns partidos falaram em flexibilidade laboral. Nós nem disso careceríamos para ver a expressão despedimento por justa causa proferida por qualquer trabalho menos competente. E porque aos mais altos dignatários de Portugal incompetência é virtude?
Hoje a juventude portuguesa demonstrou que quer participar mais activamente na vida política nacional e ser a protagonista dos ventos de mudança que ecoam por cada esquina de Portugal. A geração rasca ficou para trás. A geração anestesiada pelos confortos e amparos familiares resolveu emancipar-se e partir para a luta contrariando o que muitos vinham dizendo da sua tenacidade, combatividade, resiliência e organização. Esta geração que teve de aprender a lutar, não só não soçombrou perante os ditactes e desmandos da classe política, como reencontrou o espírito de luta que, tendo sido relatado por seus progenitores, nunca tivera de fazer uso tal não era o mundo ilusório em que crescera. O dia 12 de Março será um marco na viragem do Portugal democrático pós 25 de Abril.
Obrigado Sócrates, pois deste-nos sem saber o que de melhor tinhamos escondido entre nós. O espiríto combatente para enfrentarmos uma classe política avessa à dialéctica democrática e participação popular, a arrasadora economia, um novo arquétipo de emprego, a ausência de justiça e, em suma, a esperança perdida. A tua posição tem-nos juntado, feito fortes. Pessoas de todos os níveis, crenças, simpatias partidárias hoje estiveram juntas porque sentiram que aquilo que necessitam de fazer para construir um Portugal mais justo, harmonioso e salubre, depende de si, pondo para isso diferenças em segundo plano. Evocámos a solidariedade entre diferentes sensibilidades e gerações para te pôr a ti a à restante classe política fora deste jogo que achavam ter ganho há muito tempo pela inércia e desgaste a que sujeitavam a população portuguesa. Sentimos que a almofada das gerações mais velhas vem agarrada ao nosso colo, não para termos um sono mais tanquilo, mas sobretudo para a estender a novos públicos, a novos elementos que se queiram juntar a esta militância activa chamada CIDADANIA. Provaste-nos com toda a tua arrogância, desfaçatez, sectarismo, incompetência e manha que independentemente das clívagens que possam existir na nossa sociedade, estas são uma gota de água no oceano de queixumes e injustiças que potenciaste. Assim, saberemos construir uma sociedade sólida e coesa para combater os fracassos e muitos dos estéreis e oportunistas Direitos adquiridos do 25 de Abril. Tentaram ofuscar a parte da Revolução que falava em Deveres e nós agora inteirámo-nos disso!! Hoje viste presença nas ruas, amanhã assistirás a liderança!!
Por fim e, sabendo de antemão que o fizeste inconscientemente, Obrigado por vires a acelerar, passo a passo, dia após dia, uma verdadeira revolução para reerguer um país com mais de 800 anos de História. Acreditando piamente neste desfecho, parece-me razoável julgar que as eleições antecipadas no quadro que antevejo seriam um mal bem pequeno de entre o veredicto que se aproxima para a tua pessoa!! Assim, teremos também a nossa luta, ainda que nos teimassem em fazer crer que essas preocupações já não deveriam fazer parte do nosso cardápio político. Sócrates, estás assim, DEMITIDO por toda uma geração.
Após tantas considerações e deambulações, parece-me óbvia a resposta à questão colocada no título do texto...não queremos persistir em delegar nos outros as nossas responsabilidades.
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sábado, março 12, 2011
sexta-feira, março 11, 2011
terça-feira, março 01, 2011
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