Mensagens populares

Mostrar mensagens com a etiqueta BE. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta BE. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, julho 05, 2013

Instrumentos Intemporais

 
Desculpem o humor, mas depois de tanta demagogia, tanta descredibilização, tanta ânsia de poder, tanta incompetência e insensibilidade da classe política e tanto debate e análise política sobre os acontecimentos em catadupa dos comentadores políticos, tanto ardor por notícias frescas da nossa imprensa que verifiquei freneticamente por estes dias, só me ocorre que umas controladas cargas eléctricas sobre algumas almas pseudo iluminadas, podia efectivamente devolver-lhes a luz!!!

sábado, novembro 03, 2012

A aurora patriótica do PCP


É norma corrente no discurso político e acções de campanha do PCP a utilização do vocábulo patriótico. Diz o PCP num cartaz propagandístico «Com o PCP, uma política e um governo patriótico e esquerda.» Mas o seu líder, Jerónimo de Sousa vai mais longe. Dizia Jerónimo de Sousa em Maio de 2011, na alvorada das eleições que viriam a vitória ao actual Governo, que o acordo estabelecido entre o PS, PSD e CDS com a Troika se traduzia «um verdadeiro golpe contra o regime democrático, a soberania de decisão do povo português e a independência nacional.» Saúdo desta forma a evolução positiva que o partido comunista verifica no sentido de se aproximar dos interesses nacionais do governo de um país, mais que as diatribes ideológicas marxistas submetidas à IV Internacional e ao antigo Bloco Soviético antes da queda do Muro de Berlim, que fizeram em muitos casos colocar o PCP à margem dos interesses nacionais, estratégicos e patrióticos em todo o processo da descolonização portuguesa, por exemplo. Mas enfim, tudo isto é passado e certamente que isso acrescido a uma espécie de gulags nacionais exercidos sobre João Amaral, Edgar Correia e Carlos Luís Figueira, pela sua afronta ao PCP por terem sido livre pensadores em determinados momentos das suas vidas políticas, bem como mais recentemente pelo inusitado voto de pesar à Coreia do Norte pelo falecimento de Kom Jong III e pelo mesquinho contra na Assembleia da República ( o PEV absteve-se na votação) no voto de pesar pela morte do histórico líder Vaclac Havel, libertador da extinta Checoslováquia, que inevitavelmente cheirou a acerto de contas com o passado, não tirarão o timbre responsável, democrático e patriótico ao Partido Comunista Português, não obstante ainda ter nos seus estatutos o seu cariz Internacionalista estampado no seu ancestral Programa:



Algum dos caros leitores poderia ficar estarrecido ao ler as minhas observações e mais até a transcrição do Programa do PCP sugerindo que este partido, ao invés de admitir os erros do passado, umas vezes longínquo, outras nem tanto, parece resvalar num certo conservadorismo populista (vidé Mário Nogueira FENPROF e Carvalho da Silva e Arménio Carlos CGTP), ideológico e partidário, mas o que é verdade é que desde que Jerónimo de Sousa é o seu primus inter pares( não encontro melhor designação para o lugar do seu líder) muito coisa mudou no PCP. Obviamente ainda haverá algumas arestas a limar, no sentido do partido se afirmar verdadeiramente como progressista, tais como a abolição do sistema de voto por mão no ar e a extinção de uma inexplicável Comissão Central de Controlo. Mas justiça lhe seja feita e honremos o 5º Artigo do seu Programa intitulado «Uma pátria independente e soberana com uma política de paz, amizade e cooperação com todos os povos».

Mas deixando definitivamente algum sarcasmo e ironia para trás, pergunto se o patriotismo do PCP padece de algum complexo de menoridade, por tardio que chegou ou se apenas e só é uma faca de dois gumes? Pergunto por exemplo se é patriótico pedir, incentivar os portugueses a irem para as ruas unirem-se e manifestarem-se contra os tais governos subjugados pela Troika, contra o desemprego e contra mais um orçamento de Estado que empobrece os portugueses e depois, na hora de dar o exemplo, falha clamorosamente. Não consigo conceber como o PCP pede união e solidariedade entre os portugueses e ele próprio não se consegue unir ao Bloco de Esquerda num exercício bem mais fácil de esgrimir, junto da AR! Dois partidos que cada vez mais demonstram ser iguais, nem sequer conseguiram juntar esforços para apresentarem uma moção de censura conjunta ao Governo em sinal de protesto pelas tais políticas de direita que criticam ferozmente. Não fazia realmente sentido dar outro rumo à Esquerda Portuguesa e, dando provas de absoluto dever patriótico apresentando uma verdadeira alternativa à praxis partidária existente no seu quadrante político, fundir-se com o BE dando maior robustez ao que afirma nas suas constantes dialécticas do dever patriótico e das alternativas de Esquerda e por aí fora? Não é o PCP um partido colectivista que se nega a dar primazias a vaidades pessoais, similitude também apregoada pelo seu colega BE? Então não haveria maior prova de desassombro e responsabilidade política do que mostrar ao eleitorado nacional que o tempo sendo de excepção, implica novas medidas nunca antes experimentadas em prol do interesse nacional. Convenhamos, não estou a sugerir a fusão com o PS, onde reconheço existirem muitos temas fraturantes com o PCP, falo apenas e só do seu quase "irmão" Bloco de Esquerda. Não daria este passo uma substancial confiança ao eleitorado de esquerda que não reconhece nestes partidos individualmente uma alternativa credível para a governação de Portugal? Em tempos que soam a imperativos de se construírem pontes e de se estabelecerem diálogos políticos, estará o PCP apto para dar as mãos e construir algo pelo país e pela sua viabilidade futura?
Em Portugal na política vive-se em clima abundamente crispado, onde se pratica uma lógica de terra queimada, onde se pretende ver sempre o copo meio vazio, de constantes críticas negativas, de politização da economia, da justiça, dos sindicatos, onde aquilo que se torna público tem sempre uma conotação ideológica-partidária. Gostaria sinceramente de poder ver alguns dos partidos que se arrogam no direito indicar o caminho, também eles de darem o exemplo, como se exige em casa a um bom pai de família. «O faz o que eu digo mas não faças o que eu faço» de James Carrel não fica bem a ninguém, nem ao Governo, nem à oposição. Se há notas positivas que se devam realçar no desempenho da acção governativa gostaria de ver a oposição em massa a evidenciá-las dando o seu inestimável contributo para a própria melhoria da reputação da classe política que estes partidos tanto enxovalharam com as suas lógicas de poder. E apesar de sentir que o PCP crê cada vez mais firmemente na sua revolução para Portugal, recomendo apenas que a faça pacificamente, sem oportunismos, olhando para o passado com humildade e sapiência, mudando alguns pontos que devem ser rectificados na sua praxis, sufragando definitivamente a ideia de que é realmente um partido progressista, abdicando um pouco de algumas bandeiras em detrimento do bem comum. Espera-se muito dos políticos do presente e estes só terão futuro de foram responsáveis, rigorosos, competentes e, sobretudo patrióticos. O PCP de Jerónimo de Sousa mudou face ao de Carlos Carvalhas muito pouco e, quase só em aparência, falta realizar-se o partido para o país, sem instrumentalização dos sindicatos, de alguma imprensa, sem utopias do passado, estabelecendo diálogos maduros e profícuos com todos os seus adversários partidários, estando apto para ceder inclusivamente a sua existência em detrimento de um projecto partidário mais aglutinador para o país, reconhecendo méritos alheios, que também os há, mas tendo essencialmente a tónica de que se a oportunidade espreita ao virar da esquina, a visão que daí resulta é de uma rua estilhaçada, sendo necessária muita cooperação e patriotismo para colocar novamente tudo na ordem.

 

 

 

segunda-feira, abril 25, 2011

Matando o moribundo, por Boaventura Sousa Santos

«Não se experimentou até agora uma coligação de esquerda, envolvendo o PS, o PCP e o BE». In "Público" 25 de Abril de 2011.

domingo, abril 04, 2010

Passos Coelho assusta Associações de Famílias Portuguesas

Para o PS não podia haver pior notícia que a recente DECLARAÇÃO DO CONSELHO DIRECTIVO
DA UNIÃO DAS FAMÍLIAS PORTUGUESAS, onde é realçado o posicionamento da nova direcção do PSD. Não bastaria o PS ser o mais pioneiro(ou radical) e vanguardista no que toca a valores sociais e de família, agora arranjou um siamês, pronto a fazer-lhe sombra e, neste registo a presumir-se um feroz acto canibalista entre estas duas forças partidárias. Afinal, lutam ambas para o mesmo espaço político-partidário. Se todos nós sabíamos de antemão que nesta Europa Ocidental onde há Social Democracia, não há Socialistas e vice-versa(basta ver o exemplo alemão onde a oposição de Esquerda da CDU, democrata-cristã é o SPD, social-democrata), ficamos a saber agora que os objectivos de Passos Coelho são bastante ambiciosos, ou seja, o esvaziamento do PS, tornando o PSD no grande partido de centro-esquerda de Portugal. Admito que apesar de ser um patamar audaz, pressupõe uma leitura correcta do enquadramento político-ideológico do eleitorado português, com cerca de 60% do capital absoluto de votantes. Sim, Passos Coelho, sabe que caminhando nesta época pelos trilhos da Direita, poucos dividendos traria à causa, acrescida  de dificuldades, após as suas derrotas aquando do referendo para a despenalização do aborto e da votação na AR sobre os casamentos entre casais do mesmo sexo. Como consequência, Passos Coelho irá dar gratuitamente algum eleitorado mais conservador ao CDS-PP e irá tentar recuperar essa perda com uma forte aposta no eleitorado PS, e quiçá até mesmo BE. A luta entre estas três forças partidárias doravante irá trazer amargos de boca a alguma delas, mas a qual delas, isso só o tempo o dirá!! Uma coisa parece indiscutível, a estratégia de PSD, PS e BE vai passar a ter um crivo bem mais depurado, pois qualquer erro, por mais pequeno que ele seja, dará votos aos adversários directos, pondo, no limite a sobrevivência de uma delas em causa...