Fico absolutamente siderado ao ver que na minha cidade há pessoas com um talento indisfarçável e que podem levar o nome de Évora bem alto. Seria bom sentir que tudo o que excelência se faz neste pequenino Portugal não venha exclusivamente dos centros de Lisboa e Porto. Évora como cidade histórica, como centro de decisão política de outrora, como núcleo de massa crítica e intelectual, como terra de universidade e de superior capacidade de reflexão e de pensamento pode e deve fazer muito mais por este país, assim o ambicione quem nela habite. Muitos parabéns ao fotógrafo Jerónimo Heitor Coelho por este pedaço do céu que nos dá desassombradamente. Évora agradece por elevá-la tão alto e de forma tão imediata como poucos almejam.
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segunda-feira, janeiro 20, 2014
terça-feira, março 13, 2012
Uma má notícia para a Cultura, para Évora e para o país
«Transferência do Museu da Música para Évora «bloqueada» por falta de verbas».
Esta notícia é triste e desoladora para a cidade de Évora porque se adia o reforço da oferta cultural museológica para o turismo da cidade e porque se adia uma solução para um histórico e grandioso edifício como é o Convento de São Bento de Castris, no presente momento absolutamente ao abandono, após índevida apropriação para fins pouco claros e também de ter sido pilhado de quase todo o seu recheio. Seria uma boa oportunidade de valorizar um espaço votado ao maior ostracismo possível.
É igualmente uma má notícia para a Cultura Nacional, pois não se consegue dar a nobreza merecida a um museu que tem uma belissíma colecção temática associada à actividade musical e, por vias de estar sediado num espaço bastante limitado do ponto de vista físico e numa cidade com uma variada e rica oferta museológica, fica sempre deveras subvalorizado e com um conhecimento do público em geral muito abaixo do que seria expectável.
Por fim é uma lastimosa notícia para o país e, consequentemente para o actual Governo, porque se adia na coragem e na respectiva inversão dos pressupostos actuais das políticas de ordenamento do território e da divisão administrativa. Este seria sem dúvida alguma, um exemplo da coragem e do combate à centralização dos serviços públicos e à sua tendencial litoralização. Se formos sempre ao sabor da corrente, torna-se irreversível a desertificação do interior, pois os serviços públicos, muitas vezes trazem emprego, estimulam as economias locais e fixam empresas. O contrário provoca uma sangria de empregos, de vitalidade e, sobretudo de esperança pelas populações interiores.
Hoje fiquei triste por esta notícia, tal como fique desiludido pela argumentação do costume empregue por quem é responsável pela decisão.
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terça-feira, março 06, 2012
Uma justa e oportuna consideração
«A ex-ministra da Cultura Gabriela Canavilhas disse hoje que o que se passa fora de Lisboa "não chega a Lisboa como devia", comentando assim uma possível falta de projeção da Capital Europeia da Juventude Braga2012.» in Público
Aliás, este é um crónico e histórico problema no país. Quiçá se tenha dividido esta macrocefalia pela região do Porto, tornando-nos num país bicéfalo onde tudo o resto é paisagem. Quem está ligado à Cultura, verifica que Lisboa através do seu despudorado centralismo absorve tudo para si. Todos os melhores elementos artísticos, culturais e patrimoniais do país, são deslocados para Lisboa, numa obsoleta e antiquada lógica de velha capital do Império, que tudo deve ter para mostrar aos seus convidados de luxo!!
Num pequeno exemplo dado à vertente cultural de que acima falei, comentava-se curiosamente no legado da ex-ministra Gabriela Canavilhas, que o núcleo do Museu dos Coches de Vila Viçosa, localizado no Paço Ducal, seria extinto para que o seu belissímo acervo fosse enriquecer a colecção principal em Lisboa. Mais uma vez volta a política do centralismo e do abandono e saque ao interior!!
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