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quarta-feira, fevereiro 25, 2015
sábado, novembro 03, 2012
A aurora patriótica do PCP
É norma corrente no discurso político e acções de
campanha do PCP a utilização do vocábulo patriótico. Diz o PCP num cartaz
propagandístico «Com o PCP, uma política
e um governo patriótico e esquerda.» Mas o seu líder, Jerónimo de Sousa vai
mais longe. Dizia Jerónimo de Sousa em Maio de 2011, na alvorada das eleições
que viriam a vitória ao actual Governo, que o acordo estabelecido entre o PS,
PSD e CDS com a Troika se traduzia «um verdadeiro golpe contra o regime democrático, a
soberania de decisão do povo português e a independência nacional.»
Saúdo desta forma a evolução positiva que o partido comunista verifica no
sentido de se aproximar dos interesses nacionais do governo de um país, mais
que as diatribes ideológicas marxistas submetidas à IV Internacional e ao
antigo Bloco Soviético antes da queda do Muro de Berlim, que fizeram em muitos
casos colocar o PCP à margem dos interesses nacionais, estratégicos e
patrióticos em todo o processo da descolonização portuguesa, por exemplo. Mas enfim, tudo
isto é passado e certamente que isso acrescido a uma espécie de gulags nacionais exercidos sobre João Amaral,
Edgar Correia e Carlos Luís Figueira, pela sua afronta ao PCP por terem sido
livre pensadores em determinados momentos das suas vidas políticas, bem como
mais recentemente pelo inusitado voto de pesar à Coreia do Norte pelo
falecimento de Kom Jong III e pelo mesquinho contra na Assembleia da República ( o PEV absteve-se na
votação) no voto de pesar pela morte do histórico líder Vaclac Havel,
libertador da extinta Checoslováquia, que inevitavelmente cheirou a acerto de
contas com o passado, não tirarão o timbre responsável, democrático e patriótico ao Partido Comunista Português, não obstante ainda ter nos seus
estatutos o seu cariz Internacionalista estampado no seu ancestral Programa:
Algum dos caros leitores poderia ficar estarrecido ao ler as minhas
observações e mais até a transcrição do Programa do PCP sugerindo que este
partido, ao invés de admitir os erros do passado, umas vezes longínquo, outras
nem tanto, parece resvalar num certo conservadorismo populista (vidé Mário
Nogueira FENPROF e Carvalho da Silva e Arménio Carlos CGTP), ideológico e
partidário, mas o que é verdade é que desde que Jerónimo de Sousa é o seu primus
inter pares( não encontro melhor designação para o lugar do seu líder)
muito coisa mudou no PCP. Obviamente ainda haverá algumas arestas a limar, no
sentido do partido se afirmar verdadeiramente como progressista, tais como a abolição
do sistema de voto por mão no ar e a extinção de uma inexplicável Comissão
Central de Controlo. Mas justiça
lhe seja feita e honremos o 5º Artigo do seu Programa intitulado «Uma pátria independente e soberana com uma política
de paz, amizade e cooperação com todos os povos».
Mas deixando definitivamente algum sarcasmo e ironia para trás, pergunto
se o patriotismo do PCP padece de algum complexo de menoridade, por tardio que
chegou ou se apenas e só é uma faca de dois gumes? Pergunto por exemplo se é
patriótico pedir, incentivar os portugueses a irem para as ruas unirem-se e
manifestarem-se contra os tais governos subjugados pela Troika, contra o desemprego
e contra mais um orçamento de Estado que empobrece os portugueses e depois, na
hora de dar o exemplo, falha clamorosamente. Não consigo conceber como o PCP
pede união e solidariedade entre os portugueses e ele próprio não se consegue unir
ao Bloco de Esquerda num exercício bem mais fácil de esgrimir, junto da AR!
Dois partidos que cada vez mais demonstram ser iguais, nem sequer conseguiram
juntar esforços para apresentarem uma moção de censura conjunta ao Governo em
sinal de protesto pelas tais políticas de direita que criticam ferozmente. Não
fazia realmente sentido dar outro rumo à Esquerda Portuguesa e, dando provas de
absoluto dever patriótico apresentando uma verdadeira alternativa à praxis
partidária existente no seu quadrante político, fundir-se com o BE dando maior
robustez ao que afirma nas suas constantes dialécticas do dever patriótico e
das alternativas de Esquerda e por aí fora? Não é o PCP um partido colectivista
que se nega a dar primazias a vaidades pessoais, similitude também apregoada
pelo seu colega BE? Então não haveria maior prova de desassombro e
responsabilidade política do que mostrar ao eleitorado nacional que o tempo
sendo de excepção, implica novas medidas nunca antes experimentadas em prol do
interesse nacional. Convenhamos, não estou a sugerir a fusão com o PS, onde
reconheço existirem muitos temas fraturantes com o PCP, falo apenas e só do seu
quase "irmão" Bloco de Esquerda. Não daria este passo uma substancial
confiança ao eleitorado de esquerda que não reconhece nestes partidos individualmente
uma alternativa credível para a governação de Portugal? Em tempos que soam a imperativos
de se construírem pontes e de se estabelecerem diálogos políticos, estará o PCP
apto para dar as mãos e construir algo pelo país e pela sua viabilidade futura?
Em Portugal na política vive-se em clima abundamente crispado, onde se pratica
uma lógica de terra queimada, onde se pretende ver sempre o copo meio vazio, de
constantes críticas negativas, de politização da economia, da justiça, dos
sindicatos, onde aquilo que se torna público tem sempre uma conotação ideológica-partidária.
Gostaria sinceramente de poder ver alguns dos partidos que se arrogam no
direito indicar o caminho, também eles de darem o exemplo, como se exige em
casa a um bom pai de família. «O
faz o que eu digo mas não faças o que eu faço» de James Carrel não fica
bem a ninguém, nem ao Governo, nem à oposição. Se há notas positivas que se
devam realçar no desempenho da acção governativa gostaria de ver a oposição em
massa a evidenciá-las dando o seu inestimável contributo para a própria melhoria
da reputação da classe política que estes partidos tanto enxovalharam com as
suas lógicas de poder. E apesar de sentir que o PCP crê cada vez mais
firmemente na sua revolução para Portugal, recomendo apenas que a faça
pacificamente, sem oportunismos, olhando para o passado com humildade e sapiência,
mudando alguns pontos que devem ser rectificados na sua praxis, sufragando definitivamente a ideia de que é realmente um
partido progressista, abdicando um pouco de algumas bandeiras em detrimento do
bem comum. Espera-se muito dos políticos do presente e estes só terão futuro de
foram responsáveis, rigorosos, competentes e, sobretudo patrióticos. O PCP de Jerónimo de Sousa mudou face ao de Carlos Carvalhas muito pouco e, quase só em aparência, falta realizar-se o partido para o país, sem instrumentalização dos sindicatos, de alguma imprensa, sem utopias do passado, estabelecendo diálogos maduros e profícuos com todos os seus adversários partidários, estando apto para ceder inclusivamente a sua existência em detrimento de um projecto partidário mais aglutinador para o país, reconhecendo méritos alheios, que também os há, mas tendo essencialmente a tónica de que se a oportunidade espreita ao virar da esquina, a visão que daí resulta é de uma rua estilhaçada, sendo necessária muita cooperação e patriotismo para colocar novamente tudo na ordem.
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sexta-feira, setembro 14, 2012
Este país não é para cobardes
Mário Soares, em plena revolução de Abril estava "emigrado" em Paris, e hoje, quando uma jovem precária e desesperada geração tenta, sem meios, sem conhecimento, sem organização, forjar uma nova revolução, Soares, diz que é solidário e não fora ter um compromisso importante e estaria ao seu lado para lutar contra tanta injustiça e tanta austeridade. Este é mais um dos pretensos heróis que apenas aparece quando a revolução já se desenhou e afastou os perigos da frente. Mário Soares, apesar de decano mantém o seu carácter de cobarde e de alienado perante a sociedade que diz defender. Outra figura política, de nome Nogueira Leite, diz que se "pira" daqui assim que o Governo aperte mais com a sua mesada da CGD. Antes tinham sido Durão Barroso e Guterres a afastarem-se do poder quando o povo desolado olhava para o lado na tentativa de descortinar que alternativa haveria para mais uma crise política. É esta a estirpe da classe política nacional do pós 25 de Abril. Todas as dezenas de ministros, secretários de estado, deputados, assessores e demias administradores públicos que passaram pelo poder e dele abusaram, só o fizeram porque demorámos tempo de mais a acordar e a tirar os pés imundos de cima da nossa cabeça. Está na hora da nossa redenção, do nosso comprometimento total e incondicional por Portugal. Mas para isso, livremo-nos dos partidos e dos movimentos que dissimuladamente tentam aproveitar-se do fulgor do momento na ânsia de conquistarem o que não lhes pertence: a nossa liberdade e a nossa vontade. Há por aí movimentos que se dizem apartidários mas todos nós sabemos donde vêm e para onde vão. Sabemos qual é a sua agenda, onde se colocam no quadrante político-partidário nacional e por isso devemos evitar cair novamente nessa esparrela. A revoluçaõ social está aí e o processo já é inevitável.
Se há virtude que o actual Governo trouxe para o país é a absoluta unanimidade em torno da necessidade de mudança do desenho político-partidário. Urge mudarmos, urge integrarmo-nos novamente em movimentos políticos e cívicos que tragam nova substância, credibilidade, e esperança para o futuro do país, mas sobretudo que realizem uma Primavera Social onde caibam todos, desde que a cobardia de ousar ser mais Portugal fique à nossa porta. Na rua só há espaço para a força da convicção, para o reconhecimento do passado e para a audácia no futuro. Doravante o conceito casa passa a ter uma dimensão geográfica e política que nunca tivera no passado, vivida por uma imensa multidão solidária, empenhada e esperançada na definitiva mudança. Aspiramos a terminar definitivamente com as hordas de políticos castradores da nossa capacidade de sonhar, coarctando desde cedo a nossa iniciativa, o nosso empenho e o amor por Portugal. Doravante serão eles que se acanharão perante o frémito de mudança e de responsabilidade que tomaremos sobre Portugal. Alheámo-nos é certo, mas de hoje em diante cada político estará avisado de quanto pode e deve fazer pelos seus cidadãos. Acabou a disciplina de voto, acabaram-se as promessas vãs de lugares, de remunerações, de amizades circustanciais, de impunidades, de inconsequência, de ignorância e incompetência. Estes partidos devem deixar o espaço necessário para que a sociedade civil possa desempenhar o seu dever de honrar o pais e de dar futuro aos portugueses, coisa que em 38 anos de ilusória democracia nunca se almejou conquistar. Se sempre foram cobardes, fujam que é hora, fujam que este país não é [mais] para cobardes.
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terça-feira, setembro 11, 2012
Um partido manietado, um pais suspenso.
Hoje tivemos, nós portugueses, o privilégio de ouvir umas palavras do exmo. sr. Ministro dos Negócio Estrangeiros, dr. Paulo Portas sobre um novo pacote de medidas de austeridade. Disse exmo. senhor que é além de Ministro dos Negócios Estrangeiros, é Ministro de Estado e líder do 2º partido da coligação, vulgo CDS-PP. Disse que vai ouvir os órgãos do partido, ponto. Mas pergunto eu na minha mais santa ingenuidade, a perguntar não devia ter sido antes da tomada de posição pública do Governo para melhor garantir a estabilidade da governação? Ou sabe de antemão que os respectivos representantes da Comissão Política Nacional e Conselho Nacional são favoráveis? Admito que a uma substancial maioria dos membros da CPN e do CN do partido vivam directamente do facto do CDS estar no poder, seja como deputados, assessores, representantes de empresas públicas, etc, mas será isso suficiente, para que abdiquem das mais básicas noções de solidariedade e de coerência perante os portugueses e votem favoravelmente este pacote explosivo de ataque à sobrevivência dos cidadãos portugueses? Será que na hora de decidirem entre os portugueses amarfalhados por entre dívidas, impostos e incertezas, optarão por um simples gesto de atenção para com eles, ou resignarão ao óbvio pela manutenção das suas mordomias, luxos e ordenados? Quero crer que decidirão em consciência pelo respeito da dignidade humana, pois é precisamente o que está aqui em causa e que demonstrarão a Portas que este terá de ser mais criterioso nas relações da coligação, terá de ser mais presente perante os portugueses, terá de ser mais cúmplice de quem o elegeu, no partido e no país. O país está suspenso e um partido manietado, mas para o bem da causa pública, deve o CDS saber tomar o seu verdadeiro lugar nesta governação e ser fiel aos seus principíos ideológicos e ainda mais ao programa eleitoral que o levou ao poder. Tenho fé, muita fé, porque cada vez mais a política e o destino do país, já não passam de profissões de fé.
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segunda-feira, agosto 13, 2012
1º de Dezembro e o país à frente dos partidos
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terça-feira, abril 24, 2012
terça-feira, abril 10, 2012
Bem-vindo STARQ - Sindicato dos Trabalhadores de Arqueologia
Felicito pessoalmente a criação do STA - Sindicato dos Trabalhadores de Arqueologia e faço-o sobretudo pelo enaltecimento do esforço e tenacidade de alguns cidadãos mais empenhados. Cidadãos estes que não olharam a meios para defender a sua causa, mas igualmente a causa de muitos profissionais de Arqueologia que permaneceram na sombra de todo este dinâmico processo. A eles o meu pessoal muito obrigado por se entregarem a uma causa pública que visa defender muitos portugueses. Inquestionavelmente este é o tempo de nos reunirmos em torno de princípios e causas que impelem o país a crescer e a reinventar-se. Saúdo também os protagonistas do GTPS pelo momento em que decidiram firmemente tornar a obra realidade, pela conjuntura económico-social que presumivelmente agudizará a instabilidade laboral de quem trabalha no sector. Além disso, acaba por ser naturalmente mais uma evidência das fragilidades do Estado, naquilo que no meu entender deverá ser uma das suas primordiais atribuições, fiscalização e regulação. No campo da arqueologia, da regulação e fiscalização da actividade económica e, sobretudo laboral o Estado tem mostrado tremenda incapacidade para actuar em situações de excessos e abusos por parte das entidades contratantes. O ACT - Autoridade para as Condições no Trabalho ou não tem capacidade logística e humana para efectuar a sua fiscalização, ou não tem uma metodologia e praxis compatíveis com as necessidades actuais no mercado de trabalho. Eventualmente a própria lei do trabalho no que toca aos trabalhadores independentes acaba por ser muito perniciosa e dúbia quanto às suas garantias!!
Termino ainda com uma pequena palavra sobre a questão da instrumentalização deste recém criado sindicato por parte de centrais sindicais e inclusivé partidos políticos. Naturalmente que não escondo alguma preocupação com essa eventual predisposição, pelo facto de muitos dos dirigentes do sindicato serem militantes partidários, de o GTPS ter sempre sugerido a participação da sua plateia nos comícios, manifestações e greves patrocinadas exclusivamente pela CGTP-IN e ainda de este grupo ter sido ouvido desde já pelo PCP. É para mim claro que cada cidadão tem direito à sua militância e às suas actividades políticas, princípio basilar de um Estado de Direito. Já acho mais constrangedor que não um, nem dois membros de um sindicato, sejam militantes de um partido e conscientemente se deixem levar por interferências desse partido na sua actividade profissional, de forma a que este adquira gradualmente protagonismo num sector económico e profissional não legitimado.
Caso este raciocínio acabe por fazer sentido na história recente do sindicalismo em Arqueologia, preocupa-me pois poderá resvalar num decalcar de interesses político-partidários sobre os interesses da nossa corporação. Neste âmbito, parece-me útil que a comissão recentemente eleita para os órgãos sociais do sindicato, tenha a preocupação de se distanciar das lutas políticas da CGTP, de não se inscrever em nenhuma central sindical, de forma a que mantenha a sua postura de independente e ainda que proponha ser ouvida por todos os partidos representandos na AR, para que pelo menos, não se diga que apenas quis ser ouvida pelo PCP. Se mais tarde esses partidos não receberem o Sindicato, eis uma palavra de louvor e de apreço pela atenção e responsabilidade do PCP, no entanto, demos o benefício da dúvida aos restantes, pois como à mulher de César, não basta ser, há que parecer.
terça-feira, abril 26, 2011
Há uma 3ª via.
«O eleitorado percebe que o PS é um prodígio de incompetência. O eleitorado gostaria de perceber que o PSD é outra coisa. Não se vê como (...) O PSD decidiu empenhar-se numa série de acções suicidas destinadas a provar que talvez não valha a pena arriscar a mudança.» Alberto Gonçalves in "Diário de Notícias".
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