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terça-feira, janeiro 15, 2013

Sobre o Zico e as nossas crianças vira-latas

Correndo o risco de ser mal interpretado o que me parece injusto nesta recente controvérsia é os defensores dos animais quererem por no mesmo patamar o ser humano e o animal. Muitos dos maiores defensores dos animais, sendo mulheres ( um elogio à sua sensibilidade), tiveram por circunstâncias várias do seu quotidiano ou até mesmo por um ideal de vida, a opção de adoptarem animais em detrimento de terem filhos (também há quem tenha filhos e simultanemaente animais e se dedique a esta causa, mas com uma maior clarividência sobre as diferentes realidades em causa) e, muitas vezes foram induzidos por esse Amor que têm pelos animais a tomarem-nos quase como seus filhos querendo para eles aquilo que muitas vezes choca com a condição humana e sobretudo com a nossa convivência entre espécies. Certamente que no meio deste sentimento há muito de positivo a retirar nomeadamente quanto ao crescente bem estar animal que vamos observando na nossa sociedade. Agora já me parece mal que em alguns casos se caia no radicalismo de exceder as atribuições que nós humanos devamos dar aos animais, sejam de companhia ou não. Há animais que podem representar perigos vários para nós, seja por via da sua violência, seja por via da transmissão de doenças e que por isso não podemos permitir que coabitem connosco. O Amor pelos animais ao contrário do Amor pelas crianças não pode ser incondicional. É isto precisamente que muitos dos defensores hoje do Zico querem, que coloquemos condições para amar as crianças, pelos estados económico, social, psiquico da sua mãe (refiro-me essencialmente aos defensores do Zico que também foram no passado defensores do Aborto) mas simultaneamente que amemos sem reservas os animais. Gostaria que muitos dos defensores dos animais tivessem podido ser pais, ou tivessem tido a corajosa tarefa de adoptarem uma criança para verem quão diferente é esse Amor e nessa condição, atrevo-me a dizer que  certamente hesitariam em colocar no mesmo patamar coisas colossalmente distintas.

Por fim compreendo hoje cada vez melhor a afirmação de Teixeira de Pascoaes que dizia que «os animais são pessoas, como nós somos animais.»

sexta-feira, março 02, 2012

Aborto - Abriu-se a caixa de Pandora...

«Bioética

Artigo científico defende como moralmente aceitável a morte de um recém-nascido

02.03.2012 - 09:32 Por PÚBLICO

Um artigo publicado na última semana de Fevereiro pelo Journal of Medical Ethics defende que deveria ser permitido matar um recém-nascido nos casos em que a legislação também permite o aborto. A polémica segue em crescendo.»

Quando se quis avançar para a despenalização do Aborto, aqueles que defendiam a vida humana como algo inviolável no contexto do que se pretendia legislar, ganhou a simplificação e a desresponsabilização da sociedade. Agora começa-se ainda mais perigosamente a desfiar o novelo!! Quando parará esta frieza de convicções, mas sobretudo ausência de emoções?

sábado, dezembro 24, 2011

Reflexão no Natal sobre a Vida (Humana)


Há imagens que marcam e há momentos que nos inspiram. Este Natal lembrei- me de também homenagear causas e pessoas com as quais me solidarizo há já muito tempo. Recentemente de uma mãe que já fez muito pela vida e inclusivamente abdicou de muito da sua adolescência e juventude para poder dar à luz um filho,  recebi uma mensagem electrónica que trazia esta marcante fotografia. Ao ler passo a passo a informação que estava contida nesta simples imagem, fui-.me tocando pela sua mensagem. 
A escultura tentou reproduzir a ideia do arrependimento de uma mãe que aborta e do seu filho perdoando-a ainda assim pela sua atitude. A ideia destas jovens mães era a de alertar a sociedade eslovaca para o valor´inquestionável e inviolável da Vida Humana e, simultaneamente das graves consequências que este acto pode ter nas sua vida física e psicológica futura.
Quando assisto na televisão e em restantes órgãos de comunicação social a algumas campanhas cívicas em prol da defesa dos animais, arrepio-me, não por as achar irrelevantes, mas por sentir que a ordem de prioridades da nossa sociedade poderá estar um pouco distorcida. Noto que hoje em dia os jovens facilmente aderem a causas pró animais, anti-touradas, mas com muitas reservas se sentem impelidos a tomar partido pela causa da Vida Humana. Chocam-se facilmente por farpas espetadas no dorço de um animal de 600kgs, mas permanecem indiferentes ao terminar de uma vida intra-uterina de algumas gramas...Sinto-me até um pouco envergonhado por viver numa sociedade que hoje em dia, por exemplo já gasta mais em animais do que em bébés, como tão bem ironiza o cronista e jornalista João Miguel Tavares em «Cães como nós»

Ilustração de José Carlos Fernandes

Sei que o o pedido que faço pode parece inusitado ou até utópico numa sociedade embriagada pelo consumismo, exalando uma certa  plasticidade dos valores que nos deveriam valer para encararmos o futuro com mais objectividade, optimismo, mas sobretudo com dignidade, no entanto ainda acredito que há portugueses que em períodos festivos, também sabem deles fazer bons momentos de reflexão e ponderação, avivando o essencial do dia que celebramos e dos valores e sentimentos que nos deveriam guiar. Por isso, e por entender que não devemos ter todos uma vida de cão e que nem sempre os caminhos mais fáceis são aqueles mais recompensadores e dignificantes, podemos aproveitar para elevarmos este momento natalício a algo mais espirítual!!
Boas Festas.