Finalmente, aqui vão umas palavras sobre o colóquio sobre Património - "Reabilitação e Valorização do Património", evento realizado no passado dia 28 de Fevereiro de 2005, no Fórum Eugénio de Almeida!! Antes de mais, devo tecer umas palavras elogiosas para a organização deste colóquio, a cabo pela Fundação Eugénio de Almeida. Nunca é demais enaltecer o papel identitário e cultural que o Património tem sobre um povo e sobre uma região!! Tendo então presente na nossa memória que Évora, desde 1986, é cidade Património da Humanidade, título atribuido pela UNESCO, esta é mais que uma oportunidade, deverá ser um imperativo, não somente tratar do seu Património com zelo e tolerância, mas sobretudo despontar o interesse pelas populações mais distanciadas do valor que o Património Cultural tem para a nossa cidade e para a nossa história enquanto nação. A organização deste tipo de eventos, é uma forma ímpar de valorizar o nosso Património, despertando sensibilidades críticas e, anotando quiçá, exemplos menos bem conseguidos, ou, em casos extremos, verdadeiros atentados aos nossos bens culturais. Dito isto, passemos ao colóquio! De todas as intervenções proferidas neste dia, sejam elas, alusivas à intervenção no Convento da Cartuxa de Santa Maria Scala Coeli, à intervenção de conservação no Zimbório da Sé de Évora e, por último, à importância da cor e do revestimento na conservação dos revestimentos exteriores, esta, pelo arrojo, pela oportunidade, pela evidência, deixou-me deveras pensativo!! Este último painel supracitado, sob alocução do Prof. José Aguiar, ( docente na Universidade Lusíada e investigador no LNEC), deixou no ar inúmeras críticas e vários desafios às políticas urbanísticas aplicadas no centro histórico de Évora, nos últimos anos. Foi-nos revelado pelo Prof. José Aguiar, que Portugal é um dos países da Europa com maior acervo de esgrafitos!! As casas do centro histórico das nossas cidades, estão repletas de esgrafitos!! Este docente aconselha-nos a ter maior atenção para com esta técnica utilizada em Portugal, num passado, ainda recente, pois, por exemplo, Évora tem a presença de esgrafitos do séc. XVII e XVIII, mas também do séc. XIX e, inclusivamente do séc. XX. Poder-se-ia apostar nesta área, como mais um potencial turístico, associado ao Património, à semelhança com o que sucede com a rota do Vinho ou a rota do Fresco. Poderia este ser mais um pólo de atracção e fidelização do turismo na nossa região. Depois dito, o prof. José Aguiar, é bem mais corrosivo, nas suas veladas críticas à gestão autárquica para o centro histórico de Évora!! Eis os pontos que o mesmo refere: - Vandalismo sem precedentes e, sem reparos por parte das autoridades locais; - Anulação da história local, com a abrupta destruição de edifícios, erguendo sob estes, novas construções sem quaisquer similitudes e/ou referências histórico-arquitectónicas com as anteriores - foca o caso flagrante das habitações construídas no final da rua do Raimundo, à direita de quem desce!! No entanto podemos relembrar outros casos, como foram o Centro Comercial Eborim, o Edifício de Santa Catarina, agora a construção em altimetria do novo Hotel, sito na antiga fábrica da Melka, dos novos edifícios contíguos ao extinto convento de S. Domingos, etc; - Total ausência de obras estruturais e concertadas de restauro de casas no centro histórico; - Ideia da afirmação do branco e do amarelo, muito em voga nos dias de hoje, mas filologicamente errada; - Desuso da cal - no centro histórico de Évora, apenas cerca de 10% das suas habitações, ainda tem revestimento de cal. O Prof. José Aguiar remata no seu descontentamento, com as seguintes afirmações: " Évora está a ser traidora em relação ao Património" e "Évora, há 20 anos atrás era um case-study do urbanismo português. Hoje não o é mais". ESPERO QUE ESTAS CONSIDERAÇÕES TENHAM TIDO ECO JUNTO DO DCHPC - Departamento do Centro Histórico Património e Cultura da edilidade eborense!!! AGUARDEMOS...
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terça-feira, março 08, 2005
quarta-feira, janeiro 12, 2005
O que é Nacional é Bom!!
"Ano Novo, Vida Nova!!" Lá costuma dizer um ditado antigo!!
Não querendo deixar passar em branco esta máxima que, em muito favoreceria uma nova imagem do nosso Portugal, pretendo levantar a moral daqueles que sentem que o país sucumbiu ao clima de intabilidade e que o perspectivam deprimido!! É altura de dizer basta a esta auto-flagelação nacional, em muito proporcionada pela Imprensa que temos.
Existem muitas coisas onde somos bons e competitivos!!
Há, de facto, áreas onde conseguimos ser concorrenciais e batermo-nos com os melhores!! Um exemplo disso é, na nossa famigerada Agricultura, termos um azeite que granjeou estar incluído num guia italiano dos 15 melhores azeites do Mundo!! É verdade!! Pasmem-se, mas sobretudo, assimilem esta demontração de vontade e de saber!! O azeite que almejou um lugar entre os melhores, chama-se Romeu e é um azeite DOP, de Mirandela, produzido pela Sociedade Clemente Menéres. Esta notícia é publicada no Boletim Mensal da CAP ( Confederação dos Agricultores de Portugal), nº 48, onde foi divulgada a análise efectuada aos azeites da revista italiana L´Extravergine que, entre os 15 melhores azeites do Mundo, além do português, enuncia 12 marcas italianas, uma francesa e outra sul-africana.
Para mais informações, procurem em:
www.acquabuona.it/
quinta-feira, janeiro 06, 2005
CIDADES COM POUCO FUTURO....
Depois de ter feito uma pesquisa sobre os jovens com idade inferior a 15 anos, a residir em Évora, dei-me ao trabalho de fazer idêntica demanda para as cidades do distrito de Évora, inclusivé a mais recente, Reguengos de Monsaraz.
Eis os resultados( FONTE: ASSOCIAÇÃO NACIONAL de MUNICÍPIOS PORTUGUESES)
ESTREMOZ:
2003 - 1995
2002 - 2111
2001 - 1890
2000 - 1900
1999 - 1970
1998 - 2020
1997 - 2050
1996 - 2000
1995 - 2080
1993 - 3435
MONTEMOR-O-NOVO:
2003- 2142
2002 - 2400
2001 - 2260
2000 - 2290
1999 - 2380
1998 - 2450
1997 - 2550
1996 - 2750
1995 - 2850
1993 - 4001
REGUENGOS DE MONSARAZ:
2003 - 1534
2002 - 1623
2001 - 1610
2000 - 1630
1999 - 1660
1998 - 1700
1997 - 1730
1996 - 1790
1995 - 1840
1993 - 2284
VENDAS NOVAS:
2003 - 1493
2002 - 1486
2001 - 1290
2000 - 1310
1999 - 1330
1998 - 1350
1997 - 1350
1996 - 1460
1995 - 1510
1993 - 2501
Depois de observar atentamente este nºs, apenas me apraz dizer que estas são as maiores aglomerações urbanas do distrito de Évora!! Juntamente com Évora, as localidades de Estremoz, Montemor-o-Novo, Reguengos de Monsaraz e Vendas Novas, são as cidades que temos! Se estas não conseguem estancar a sangria da desertificação e da falta de jovens nos seus concelhos, que realidade constataremos nos outros concelhos?
Deixo-vos com estes pontos de reflexão:
-Taxa de Natalidade em Portugal;
- Apoio do Poder Central ao interior;
- Contribuição das autarquias locais para o desenvolvimento económico-social, nomeadamente apoio e incentivo à fixação de empresas e investimentos;
- Mentalidade Alentejana.
terça-feira, janeiro 04, 2005
Jovens no Concelho.
quinta-feira, dezembro 30, 2004
CULTURA EM ÉVORA.
segunda-feira, dezembro 20, 2004
IMPRENSA! PARA QUE TE QUERO?
Voltando à minha bela terra, após um fim de semana, noutra não menos idílica povoação, vulgo, Ponte de Lima, qual é o meu espanto quando, atento aos jornais e televisões, deparei-me com alguma celeuma em volta do candidato a Primeiro-Ministro, surgida no transacto fim de semana!!
E que celeuma?
A questão da co-inceneração!! Pois é!! Parece que se avizinha novo nevoeiro na conjuntura política actual!! Em primeira instância tenho que admitir que o homem, apesar não reconhecer grandes virtudes na pessoa, teve coragem de evocar um tema polémico!! Não ponho em causa se esta hipótese aventada, é melhor ou pior para o país!! Nem que, possívelmente o Eng.º José Sócrates mostrou pouca inteligência ao puxar deste tema, mas lá coragem teve o homem!! Coragem ou teimosia...whatever!! O que me custa é esta verocidade da imprensa para atacar quem quer que seja, pelo que defenda!! A imprensa nacional, limita-se a demandar pela polémica!! Quando não a há, tem que se criar!! É certo que esta serve para pôr em público situações menos dignas, relatos de quem se sente injustiçado, mas também devia ser seu propósito criar um elán especial em torno do nosso país!! Não posso dizer, com pena minha, que esta tenha contribuido para a pacificação do país, para a credibilização da classe política dirigente e das instituições públicas, que promova a nossa língua pelo Mundo fora, que fale com substância, de valores sociais e culturais que nos valem!! Tão somente expressa e promove a desagregação do país...Esta poderia ser um motor de aprendizagem e de formação de uma metalidade mesquinha, individualista e ignorante, presente em Portugal....Em vez disso.... sábado, dezembro 04, 2004
Um só país, duas realidades!!
Tenho a leve sensação de que as pessoas acham muito idílíca a ideia de um novo Parque Mayer projectado pelo celebérrimo arquitecto Frank Gehry, orçada, por baixo, em 130 milhões de €. Interessante, é saber que, por exemplo, o PIDACC previsto para Évora, distrito, em 2004, foi de 99milhões de €. Uma obra de requalificação urbanística e patrimonial de um edifício histórico( ninguém põe em causa o seu valor arquitectónico), custa mais para o bolso dos cidadãos, do que o orçamento previsto para todos os concelhos do distrito de Évora!! Não pude deixar de reflectir sobre o peso dos valores e do que representam na perspectiva do país!! Um país pobre, parece ser um denominador comum, no entanto uns podem projectar obras desta envergadura e de prioridade discutível, outros têm os hospitais que têm, quartéis de bombeiros sem condições de habitabilidade, sem meios para socorrer doentes e acudir a fogos, escolas degradadas, cidades sem policamento necessário, ligações rodoviárias e ferroviárias, indiscritivelmente deterioradas, sem valências minímas para as práticas cultural e desportiva... Realmente poderíamos ainda acrescentar que esta desigualdade está latente num país que parece viver da aparência!! Onde Lisboa é apresentada como uma cidade metropolitana, viva, moderna e adaptada aos novos desafios do século XXI, mas onde tudo o resto é paisagem. Não deveriam os governantes do nosso país combater estas referidas assimetrias, resolver problemas de primeira necessidade, em detrimento de assuntos sumptuários, perdoem-me o desabafo? Temo que muitos lisboetas e restantes cidadãos litorâneos desconheçam a realidade que vigora no Alentejo, Trás-os-Montes e Beira Interior, por exemplo. Fala-se muito na nossa histórica unidade territorial, da univocidade linguística, das similitudes antropológicas, no entanto, ao invés do que a Espanha faz, dá mais a quem precisa de mais, tratando de forma diferente quem é diferente( julgo ser isto a tão propalada equidade), neste caso quem é mais pobre, mais deve receber, Portugal enveredou por outro caminho.
Ocasinalmente, ou não, a Espanha, tem tentando insistir na sua tese de criar uma só unidade, apostando, nomeadamente nas regiões da raia, tanto com Portugal como com a França. Em relação à França, julgo não existirem problemas, dado que é um país que pode ombrear de igual para igual com a Espanha, no entanto, em relação a Portugal a panorâmica é, indesmetivelmente outra. Quando os espanhóis criaram o aeroporto de Badajoz, quando estabeleceram na penúltima cimeira luso-espanhola, as prioridades em termos de traçados de TGV, quando modernizaram as suas vias rodoviárias junto à fronteira, quando proporcionam mais oferta económica, estão, além de desenvolver regiões mais atrasadas, de apostarem numa maior coesão nacional, pois investem no combate às assimetrias regionais, estão igualmente a piscar o olho ao vizinho português, pobre e de mão estendida. Quantas e quantas vezes ouvimos falar em amigos e familiares que foram apanhar o avião em Badajoz, que foram passear a Sevilha, que foram às compras a Mérida, assistir a uma corrida de toiros a Olivença, estudar medicina, para Badajoz ou Cádiz, ter uma consulta médica de especialidade, comprar uma casa, etc... são tantos e tantos os pretextos para termos que nos juntar a nuestros hermanos que, quase apetece dizer que a capital do outrora reino, nos empurra ferozmente com uma espada contra a parede. Ao contrário dos espanhóis que tentam resolver um problema de séculos, nós abrimos uma brecha numa solidez ancestral. Estamos a criar desigualdes tal maneira significativas, que não há coesão nacional que resista!
Não posso arranjar caso mais paradigmático do que o de Barrancos!! não eram as corridas de toiros que eles pretendiam ver resolvidas, era o ostracismo a que são votados continuamente!! Clamavam por um naco do pão do centralismo e este deu-lhe uma migalha. Cada vez mais as pessoas no interior olham para um país triste, anafado e descomprometido com o "Portugal profundo"!! No entanto, por vezes, ainda num último fôlego, pedimos a compreensão e o auxílio de quem, cada vez mais nega assumir responsabilidades!
Deveríamos equilibrar Portugal!!
Há coragem, rigor e seriedade para o fazer?
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